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Segurança e Saúde no Trabalho: um investimento com retorno assegurado
As boas práticas de SST são muito mais do que um requisito legal, estando à responsabilidade da entidade patronal. Não obstante, os trabalhadores têm o dever de seguir as instruções, regras e medidas definidas pela empresa, e são responsáveis por prestar atenção à sua segurança e saúde, bem como à dos seus colegas de trabalho.
BENEFÍCIOS DE BOAS PRÁTICAS DE SST
Ao longo dos anos, o sector de SST em Portugal, tem vindo a assumir uma importância cada vez maior, pois as empresas perceberam que é uma ferramenta fundamental para prevenir doenças profissionais e acidentes de trabalho.
A experiência mostra que cada euro que um empregador investe na SST traduz-se por um retorno superior ao dobro.
Os custos dos acidentes de trabalho são muito maiores do que aqueles inicialmente visíveis. Podem ser comparados a um “iceberg”:
- A parte visível são os aspetos mensuráveis - como prémios de seguros, entre outros;
- A parte não visível corresponde aos custos indiretos, mais difíceis de quantificar - como perda de confiança, atrasos na produção, etc.

VANTAGENS DE BOAS PRÁTICAS SST PARA A EMPRESA
- Os colaboradores sentem-se mais seguros, motivados e realizados na sua atividade profissional.
- Verifica-se uma diminuição de taxas de acidentes de trabalho e doenças profissionais.
- Evitam-se perdas e perturbações de produção;
- Diminuição do absentismo por motivos de doença;
- Menos danos provocados ao equipamento;
- Decréscimo de uma má imagem de marca;
- Diminuição dos custos administrativos e jurídicos.
CUSTO-BENEFÍCIO DA SST
As boas práticas de SST estabelecem um equilíbrio entre os RISCOS PERCEBIDOS e os CUSTOS DAS MEDIDAS DE PREVENÇÃO, uma vez que uma segurança e saúde no trabalho deficiente tem custos acrescidos e isso pode ser prejudicial à empresa em alturas economicamente mais frágeis.
Qualquer medida preventiva traduz-se por um custo, e a verdadeira rentabilidade só poderá ser confirmada mediante uma análise custo-benefício das medidas implementadas.
Através do gráfico, pode ser observado que à medida que aumentam os custos com a segurança, diminuem os custos com os acidentes. A linha vermelha (soma dos custos), apresenta um valor mínimo (valor A) que corresponde ao valor ótimo do grau de segurança, do ponto de vista económico.

EXEMPLOS DE ESTUDOS DE CASO
Diversos estudos de caso mostram que existe uma relação direta entre uma boa gestão da SST na empresa e a melhoria do desempenho e da rentabilidade.
1. SETOR DA CONSTRUÇÃO CIVIL: uma empresa investiu na formação dos trabalhadores em postura correta para levantar e movimentar cargas pesadas. Como resultado, obteve uma redução das dores lombares e de baixas por doenças associadas, o que permitiu à empresa recuperar o investimento em 2,16 anos.
2. GESTÃO DE RESÍDUOS: uma empresa investiu em melhorias nos EPI e EPC (equipamentos de proteção individual e coletiva) para reduzir acidentes causados por lesões. Como resultado, os índices de acidentes diminuíram em 20% e o investimento foi recuperado em 1,3 anos.
A FORMAÇÃO COMO EIXO CENTRAL DA SST
O êxito das organizações passa, antes de mais, pelo êxito das pessoas com quem trabalha, atendendo às suas características, competências, capacidades, motivações e empenho. É, por este motivo, que as organizações procuram recrutar os melhores candidatos, investem na sua formação, desenvolvem as suas carreiras e garantem-lhes os meios suficientes para que fiquem nas empresas.
O conhecimento obtido na formação em SST é uma das ferramentas mais valiosas para criar um ambiente de trabalho saudável!
No âmbito da política de Segurança e Saúde no Trabalho, é fundamental a participação de todos os colaboradores. Por isso, estes devem receber a devida formação nesta área, para ficarem a saber quais os seus direitos e deveres em questões de SST, bem como estarem informados sobre os riscos a que estão sujeitos nos seus postos de trabalho, de forma a poderem proteger-se e prevenir futuros acidentes e doenças. Por isso, o conhecimento em SST é uma das ferramentas mais importantes no contexto laboral para a propagação de um ambiente saudável e seguro.

Ana Trindade
(Formadora e Técnica Superior de SST)

A Qualidade nos dias de hoje
- Em pleno 2022 a qualidade continua a ser um fator diferenciador para as organizações?
- Como é que as novas metodologias de gestão e organização “vivem” com a Qualidade e com a certificação ISO 9001?
- Quais são os princípios orientadores da Qualidade?
- A Qualidade ainda é apelativa?
- O melhor referencial da Qualidade é a ISO 9001?
- O que é a Qualidade?
Estas são apenas algumas das questões que surgem à volta deste tema tão abrangente: A QUALIDADE!
No contexto de ambiente empresarial, o conceito de Qualidade é entendido como o assegurar da realização e entrega de produtos ou serviços que cumpram, por um lado, com as especificações técnicas definidas/requeridas, por standard ou por contrato, e por outro lado deem resposta às necessidades dos mercados a que se destinam!
A Gestão da Qualidade, da qual a norma ISO 9001 é o referencial mais universal e emblemático, vem permitir que as organizações respondam aos requisitos acima referidos:
- de uma forma estruturada,
- com uma racionalização dos recursos necessários;
- e com uma sistematização e organização que garante a estabilidade necessária à operação.
Esta sistematização e organização atinge-se através da definição e caracterização dos diversos processos de trabalho e de um controlo e monitorização das principais variáveis e indicadores da operação.
Com a abordagem estabelecida pela ISO 9001, consegue-se, de forma precoce, a identificação de anomalias e a consequente correção dos processos afetados, bem como a recolha de informação que permite, por análise “a posteriori”, a identificação de áreas ou pontos de melhoria.
Deste modo incorpora-se na vivência das organizações, a interligação de dois ciclos fundamentais e complementares – o ciclo da gestão do quotidiano, conhecido como ciclo SDCA (iniciais em inglês de Standardize, Do, Check and Act) com o ciclo de melhoria continua também conhecido por ciclo de Deming* ou PDCA (iniciais em inglês de Plan, Do, Check and Act).
O ciclo SDCA garante a otimização da operação, enquanto o ciclo PDCA é a forma sistematizada e controlada de introdução das melhorias necessárias, sejam elas de origem interna (ineficiências, erros ou outros) ou de origem externa (modificação das necessidades do mercado).

Através da aplicação dos ciclos SDCA e PDCA, qualquer organização consegue responder às exigências dos mercados em que opera, de uma forma sustentada, através da otimização de recursos e fiabilidade da operação, mas dotada de meios para poder, com agilidade, adequar a sua operação a qualquer alteração.
Enquanto metodologia de gestão, a ISO 9001 é baseada nos ciclos anteriormente referidos e não é incompatível com nenhuma outra metodologia de gestão sejam elas mais focalizadas nos aspetos financeiros ou nos aspetos estratégicos. Os princípios subjacentes à ISO 9001, nomeadamente o ciclo de Deming, são um contributo para uma resposta atempada e adequada das organizações aos desafios também eles mais frequentes e inesperados.
Para além da metodologia de gestão baseada na ISO 9001, existem outras metodologias (AGILE) que integram a gestão das organizações, melhorando os seus processos de negócio através de utilização de tecnologia sempre com vista a aumentar a satisfação de clientes.
As organizações estão cada vez mais atentas às necessidades dos seus clientes que são cada vez mais exigentes e bem informados. Assim, algumas metodologias tradicionais de trabalho não são suficientes para tratar toda a informação recebida pelo que a introdução da tecnologia traz claramente melhorias significativas.
Qualquer uma das metodologias implementadas visa sempre uma otimização dos processos de negócio com vista à satisfação do cliente.
Num momento em que quer os recentes eventos de natureza sanitária, quer os de ordem político-militar mostraram o quão importante continua a ser a capacidade de rápida adaptação a novas circunstancias e exigências, estes princípios da gestão da Qualidade aplicados nas empresas ajudam seguramente a fazer a diferença!
A gestão da Qualidade, continua, pois, a ser uma ajuda importante às empresas para melhor lidarem com a variabilidade e volatilidade que hoje caracterizam os mercados.
*W. E. Deming foi um estatístico americano que, logo após a segunda guerra mundial, definiu e introduziu no Japão, um método de gestão de qualidade que permite executar uma estratégia de melhoria contínua numa organização (ciclo de Deming).

Paula Freire
(Consultora de Sistemas de Gestão)

85% da população portuguesa é utilizador registado da internet. E a sua Marca onde está? A comunicar efetivamente com o seu público-alvo?
Estar presente no mundo digital já não é uma opção é um “must”. Tal qual anos atrás era necessário ter instalações físicas, hoje essa condição voltou-se para a era digital. O Marketing Digital acompanhou a evolução da internet e dos hábitos dos consumidores.
De acordo com os dados mais recentes publicado no Data Report, referente a janeiro de 2022, com um total de 10,15 milhões de pessoas, cerca de 85% da população portuguesa utiliza a internet, o que representa um acréscimo de 2,9% face ao mesmo mês do ano anterior (janeiro de 2021 – 8.63 milhões). Não deixam de ser números impressionantes, quando cruzamos estes dados com o envelhecimento da população e assimetrias de indicadores económicos interior/litoral.

Está surpreendido? Os números não param de impressionar! De acordo com a mesma fonte, segundo dados recolhidos em abril de 2022, a nível global, 67% utilizam um dispositivo móvel, 63% têm acesso à internet e 58,7% são utilizadores ativos de redes sociais.
Façamos um pequeno exercício: acordamos com o despertador do telemóvel e vemos os highlights das notícias enquanto nos preparamos para mais um dia de trabalho. Na nossa agenda, estão todos os compromissos, tarefas e emails a responder. Temos aquela receita que queremos experimentar, adiada vezes sem conta pela falta de ingredientes, muito embora a lista de compras também faça parte de uma aplicação no telemóvel. Toda a programação de um dia – desde compromissos profissionais a pessoais – estão presentes num único e pequeno dispositivo. Atualmente, já não voltamos atrás pela falta da carteira, mas sim pelo esquecimento de um dispositivo que nos regula o dia-a-dia – com ele, realizamos pagamentos, estamos contactáveis, temos a nossa agenda diária e serve para nos acordar todas as manhãs.
E em todo este percurso e hábitos, como é que a marca comunica com o seu público-alvo?
Se é certo que o Marketing Digital acompanhou o desenvolvimento da Internet ao longo dos últimos anos, o seu “boom” é alcançado nestes últimos dois. Porquê? Porque, face à pandemia COVID-19, os nossos hábitos mudaram radicalmente. Aprendemos a usar máscara, a estar em teletrabalho e telescola, a realizar compras online, a efetuar pagamentos por homebanking, a comprar livros escolares via web ou a contactar com amigos e entes queridos online, sendo esta a única opção viável. Começámos a acionar um mundo virtual sem hipótese de retorno. O mesmo aconteceu no mundo comercial: estes dois últimos anos levaram a que as marcas e empresas se tivessem que adaptar rapidamente a este mundo virtual.
Os principais motivos para a utilização da Internet a nível global continuam a ser o entretenimento, a informação e a comunicação. Sendo que os principais canais utilizados no mundo empresarial são (ver quadro):

O conceito de especialista em Marketing Digital está a começar a ser desacreditado, bem como a noção de que estar presente neste mundo virtual significa assegurar publicações nas redes digitais. Ter uma presença digital significa ter uma porta sempre aberta, 24 horas por dia, 7 dias por semana e 365 dias por ano. Já não se trata de fechar para férias ou para almoço, mas sim do seu potencial cliente ir rapidamente buscar uma nova solução noutro lado.
Atualmente, estar presente no digital obedece a um ecossistema digital, figurado através de uma árvore: as suas raízes, o seu tronco e os seus ramos. A partir da construção deste ecossistema, e de acordo com objetivos bem delineados, é elaborada uma estratégia, um planeamento e uma uniformização de conteúdos e imagem de marca, de acordo com o branding e a identidade da marca.

Através do canal digital, as portas do seu negócio podem ser abertas para o mundo. Mas, primeiro precisa de saber como o fazer, começando por investir na formação dos colaboradores e da equipa de gestão de forma a que o negócio, a marca e o propósito da empresa sejam bem comunicados e estruturados, não apenas a nível local, mas globalmente.
Este rápido crescimento do Marketing Digital, tem levado a uma especialização cada vez mais proeminente dos seus componentes, tal como o Marketing Tradicional. Não existe um especialista único em Marketing Digital, mas sim um vasto leque de especialistas focados em cada uma das áreas que o integra – marketing de conteúdo, SEO, redes sociais, sites e sua divulgação, e-commerce, placement, advertising, entre outras áreas que, de acordo com a especificação do negócio e as suas necessidades, terão de ser desenvolvidas.

Rita Araújo
(Formadora de Marketing e Gestão)

O caminho para um futuro mais sustentável
Os conceitos associados à sustentabilidade ocupam hoje um espaço importante nas pautas corporativas da sociedade, sendo fatores fundamentais para as empresas que pretendem ser competitivas no mercado.
Acrónimos como ESG (environment, social and governance) e ODS (objetivos de desenvolvimento sustentável) estão associados à temática sustentabilidade. Temos, no entanto, assistido a uma confusão entre estes dois conceitos que muitas vezes têm sido vistos como sinónimos, devido à sua ligação e complementaridade.
AFINAL, O QUE É ESG?
A origem do termo ESG surgiu de uma provocação do então secretário-geral da ONU Kofi Annan a 50 CEOs de grandes instituições financeiras, convidando-os para uma iniciativa conjunta, no intuito de integrar os fatores ESG ao mercado de capitais.
ESG, em inglês “environment, social and governance” (ou ASG, em português “ambiental, social e governança”), refere-se às condutas ambientais, sociais e de governança de um fundo, de uma empresa.
Este termo tem ganhado grande visibilidade, devido a uma preocupação crescente do mercado financeiro sobre a sustentabilidade. As questões ambientais, sociais e de governança passaram a ser consideradas essenciais nas análises de riscos e nas decisões de investimentos, colocando forte pressão sobre o setor empresarial.
Segundo um relatório da PwC (The power to shape the future, 2020), os ativos ESG representarão entre 41% e 57% do total de ativos de fundos mútuos até 2025. Além disso, mais de 75% dos investidores institucionais europeus consultados planeiam parar de comprar produtos “não ESG” europeus até 2022.
“ESG não é uma evolução da sustentabilidade empresarial, mas sim a própria sustentabilidade empresarial.”
(Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global)
O conceito ESG assenta em 3 pilares fundamentais:
- Ambiental (Environmental): são práticas de combate às ameaças ambientais exercidas pelas organizações, considerando, inclusive, os impactos que podem ser gerados a longo prazo. As iniciativas devem ser pensadas não apenas para obedecer a leis e regulamentações, mas ir além e ter a sustentabilidade totalmente integrada à cultura da organização. Isso cabe não só a produtos, mas também a processos.
Tem como principais fatores: uso consciente de recursos naturais; adoção da eficiência energética; redução das emissões de gases de efeito estufa (CO2, gás metano) e poluição; gestão adequada de resíduos e efluentes; praticar a Logística Reversa; e evitar a desflorestação.
- Social (Social): é a responsabilidade social empregada pela organização, ao qual se relaciona com seus parceiros, clientes, colaboradores, acionistas. A organização não se deve limitar apenas às questões de trabalho e políticas internas, mas construir uma cadeia onde todos os envolvidos sejam beneficiados, até mesmo a comunidade onde está inserida.
Como fatores, destacam-se: adotar políticas e relações de trabalho dentro da organização; dizer “não” ao trabalho escravo e trabalho infantil; respeito pelos direitos humanos; apoio a programas de inclusão e diversidade; pagamento justo a fornecedores; relacionamento com a comunidade local; capacitação e cuidado à saúde aos colaboradores; e privacidade e proteção de dados (RGPD).
- Governança (Governance): são as estratégias corporativas das organizações e a sua orientação administrativa. Integra esse tópico, por exemplo, medidas anticorrupção, estrutura organizacional, canais de denúncia, compliance, entre outros temas. Este pilar é a base que garante o cumprimento a longo prazo das práticas de ESG, abarcando transparência, ética e responsabilidade perante aos riscos.
Os principais fatores são: a ética e transparência da organização; adoção de política anticorrupção e política de remuneração da alta administração; diversidade na composição do conselho; qualidade das equipas de auditoria; responsabilidade fiscal; independência do conselho administrativo; e estrutura empresarial.
E O QUE SÃO ODS?
Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS) são 17 compromissos firmados por 193 países em setembro de 2015 durante o encontro da Cúpula de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Compõem uma agenda global que guia as ações dos governos, sociedade civil e organizações para a construção de políticas públicas com o intuito de mitigar impactos negativos até 2030.
“Os ODS e suas metas estimulam e apoiam ações em áreas essenciais para a sociedade. Eles devem ser inseridos nas políticas e processos das organizações.”

(Fonte: https://unric.org/pt/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel/)
QUAL A RELAÇÃO DE ESG COM OS ODS?
O conceito de ESG está focado na conduta Ambiental, Social e de Governança de um fundo, empresa ou organização. Os ODS vão para além dos limites organizacionais – são um compromisso global para o futuro.
Os ODS ajudam as organizações a identificarem quais as principais vulnerabilidades da sociedade, e desta forma a encaminharem os seus esforços e encontrarem oportunidades para promover o impacto social através da aplicação de critérios e ações de ESG. Ao adotar boas práticas e métricas ESG as organizações estão mais aptas para contribuírem com os ODS. No entanto ter boas práticas de ESG não significa que automaticamente a organização contribua para atingir os ODS.
Enquanto “ESG indicam solidez, custos mais baixos, melhor reputação e maior resiliência em meio às incertezas e vulnerabilidade”, os “ODS reúnem as grandes dores, desafios e vulnerabilidades da sociedade”.
A complexidade, falta de transparência nas metodologias e na obtenção de dados ESG consistentes e padronizados são ainda fatores de fragilidade, criando assim obstáculos nas adaptações necessárias para estar em conformidade com referidas exigências.
COMO APLICAR OS ODS ÀS ORGANIZAÇÕES?
Para as organizações, os ODS representam uma oportunidade-chave para a consolidação do seu valor agregado, mostrando que as suas atividades são capazes de impactar positivamente o mundo, minimizando consequências negativas e trazendo outras, positivas, à escala local ou global. Cabe, assim, a estas enquanto agentes fundamentais de mudança, conectar suas estratégias comerciais com as prioridades elencadas nos ODS, utilizando-os como ferramenta para planear, executar e comunicar as suas estratégias e atividades.
Siga estas 4 etapas para aplicar os ODS à sua organização:
1. Realização de uma avaliação das consequências das atividades da organização em cada um dos ODS: é muito importante que as organizações saibam fazer uma avaliação realista sobre os 17 ODS. São muitas frentes de atuação propostas, e, naturalmente, é de esperar que nem todas elas sejam igualmente relevantes para a atividade.
2. Criação do plano de ação com base no estabelecimento de metas: as metas devem estar apoiadas por mecanismos de medição, por um prazo bem definido e por um objetivo específico.
3. Incorporação dos valores à rotina: implementação de um programa de princípios responsáveis, envolvendo as lideranças e colaboradores.
4. Comunicação das ações e iniciativas desenvolvidas: a divulgação das iniciativas fortalece o posicionamento da organização e estimula a adesão de novos participantes ao movimento.
E agora, quer começar a implementar ESG e ODS de forma prática na rotina da sua organização?

Sofia Almeida
(Espec. em Gestão Ambiental)

Saiba como rentabilizar o seu tempo sem esticar as horas de trabalho
“A produtividade de um profissional mede-se pelo trabalho realizado e não pelo esforço e tempo da execução.”
Num mundo cada vez mais digital, em que o relógio é “rei”, vivemos numa luta constante contra o tempo. Apesar de, à primeira vista, parecer uma tarefa simples, a gestão do tempo é um dos aspetos mais difíceis de integrar nos nossos hábitos e rotinas diárias. Terminamos o dia de forma ambígua, com a sensação de que o tempo falta e ao mesmo tempo voou, onde o resultado é sempre o mesmo - a produtividade fica aquém.
“O dia só tem 24 horas!” é um pensamento que enfrentamos todos os dias, que provoca ansiedade e stress, e leva a obter resultados negativos e adiar tarefas para o dia seguinte, sejam estas do foro profissional, social ou pessoal.
COMO GERIR O TEMPO DE FORMA EFICAZ
Então, a grande questão mantém-se: Como resolver este problema? Como ganhar tempo, sem esticar as horas de trabalho? A resposta parece clara e objetiva: a solução passa por “organizar, planear, dizer ‘não’ e ser eficaz”.
O primeiro passo é organizar e planear o seu dia-a-dia, para aumentar o sucesso e a produtividade. Esta tarefa, quando corretamente implementada, irá permitir que responda aos desafios do seu quotidiano, que aposte na evolução profissional e dedique tempo livre à sua vida pessoal, como a aposta no bem-estar físico, emocional e mental.
Para aplicar esta mentalidade tem de identificar as atividades e comportamentos que prejudicam a sua produtividade e adotar rotinas que os evitem, eliminando períodos de tempo desperdiçados, definindo objetivos e priorizando as tarefas importantes. As palavras-chave para o sucesso deste método são: definir, estruturar e cumprir, e deve seguir estes passos:
- Atribuir um bloco de tempo para cada tarefa, para que a mesma não se prolongue;
- Fixar prazos, pois permitem usar indicadores de “perigo” em relação às tarefas em curso e ajustar quando necessário;
- Medir o tempo utilizado, pois permite uma visão geral do tempo e ajuda a diagnosticar as melhorias a introduzir;
- Aprender a dizer que não sempre que necessário.
DIÁRIO DO TEMPO: O TRUQUE PARA NUNCA MAIS SE ESQUECER DE UM COMPROMISSO
Elabore um plano de objetivos, ou um “diário do tempo”, de cariz semanal, que o permita escrever tudo o que pretende concretizar até ao fim da sua semana, as ações que tem de desenvolver para o fazer e a devida distribuição ao longo dos dias.
- Comece por registar as tarefas diárias e deixar espaço para períodos de repouso e descontração.
- Defina o tempo para realizar cada atividade, de forma a ser equilibrado para atingir os objetivos, flexível para tarefas inesperadas (prever blocos de intervalo ajustáveis), e planeado de forma realista de acordo com as prioridades.
- Tenha “check-lists” diárias, atendendo aos objetivos mais importantes.
- Tome nota do tempo gasto em cada tarefa (reuniões, dossiers, resposta a clientes, telefonemas, etc). As “check-list” em suporte papel são ideais, pois permitem riscar os passos depois de concluídos, fazer anotações e ajustes necessários.
MATRIZ DA ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO
O autor do best-seller “Os Sete Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes” Stephen Covey, defende a importância de dois conceitos na gestão do tempo e aumento da produtividade:
- O grau de importância de cada tarefa, pois permite atribuir a quantidade de energia e dedicação necessárias à sua realização (“quanto tempo vou demorar”);
- O grau de urgência, que atribui o prazo de realização (“quando vou fazer”).
Este estudo introduz a metodologia “Matriz de Administração de Tempo”, criada para distribuir as tarefas de acordo com os quatro quadrantes onde empregamos o nosso tempo.

1 Atividades e situações urgentes e importantes, que exigem atenção imediata. Este quadrante sufoca as pessoas, pois dedicam grande parte do seu tempo “a apagar incêndios” e a resolver problemas. Neste quadrante, será dominado pelo stress, pela ansiedade e pelo desperdício de tempo.
2 Atividades importantes, mas não urgentes. É onde se deve situar o planeamento de longo prazo: desenvolvimento pessoal e profissional, estudos, e elaboração de estratégias para delegação de tarefas pelos colaboradores ou solicitar a colaboração de colegas.
3 Inclui tudo o que é urgente, mas não é importante. Quando dá prioridade a atividades que são apenas urgentes, corre o risco de cometer um erro fatal para a perda de tempo: o de fazer algo que não o ajudará em nada a atingir os seus objetivos de curto, médio ou longo prazo.
4 Atividades que não são urgentes nem importantes. Quando usa o tempo para algo relacionado com este quadrante, estará na maioria das vezes, a fazer mau uso dele.
Segundo Stephen Covey, quem gere a sua vida de acordo com crises, vive 90% do tempo no quadrante I, dedicando os restantes 10% ao quadrante IV, pois contem as atividades que, de alguma forma, lhe dão alívio para as tensões.
As pessoas que dedicam o tempo ao planeamento da sua vida, dos relacionamentos e ao aperfeiçoamento e prevenção de problemas, são pessoas que se mantêm afastadas dos quadrantes III e IV, diminuem o tamanho do quadrante I e dedicam mais tempo ao quadrante II.
EM PORTUGAL…
Esta temática relaciona-se diretamente com o projeto piloto que visa implementar, em Portugal, a semana de quatro dias de trabalho. Aqui demonstram-se os pressupostos que indicam o sucesso e eficácia dessa mudança, que implicaria a diminuição das horas de trabalho sem que esta prejudicasse a produtividade dos colaboradores.
O sucesso desta abordagem pode ser comprovado pelos resultados positivos obtidos por outros países europeus, pioneiros na implementação do modelo de redução das horas de trabalho, que provocou um aumento na produtividade do trabalhador e na diminuição exponencial do stress e da ansiedade.

Carla Caldeira
(Licenciada em Economia)

Departamento de Felicidade nas Empresas: Porque é cada vez mais importante?
Porque é que a felicidade é tão valorizada no meio laboral hoje em dia? A felicidade caracteriza-se pela satisfação plena e máxima e é incentivada através da motivação e da liderança.
A felicidade dos colaboradores torna-os mais dedicados e torna o local de trabalho um espaço mais produtivo, inovador e motivador. A motivação é o combustível que move os trabalhadores em prol da concretização dos objetivos que precisam alcançar e, na sua ausência, muitas organizações caem na monotonia e veem os seus colaboradores desanimados.

LIDERANÇA MOTIVACIONAL
Os líderes e os colaboradores são pontos vitais de qualquer organização, sendo que os líderes têm como principal função motivar os seus colaboradores, usando a criatividade para que o desenvolvimento destes seja contínuo e com resultados eficientes. Isto torna a liderança e a motivação duas peças inseparáveis.
A implementação de ações que promovam a motivação, apesar de não ser uma tarefa fácil, pode ser praticada através de formações, melhores equipamentos e condições físicas no trabalho, recompensas, reconhecimento ou uma liderança capacitada, que incentivam à criação de uma atmosfera segura.
A liderança motivacional pode ser definida como uma forma de conduzir uma equipa de trabalho, cujo objetivo é garantir a motivação e o empenho dos colaboradores na realização das suas atividades, obtendo êxito e interesse no cumprimento das suas funções. O líder que é motivador, deve orientar, inspirar e incentivar a sua equipa a atingir o seu melhor nível de comprometimento.
A MOTIVAÇÃO E O TRABALHO EM EQUIPA
Cada vez mais, as funções dos colaboradores interligam-se entre si e as relações de interdependência crescem, tornando-se essencial um domínio crescente sobre a capacidade de trabalho em equipa.
Porém, o trabalho em equipa é mais do que um conjunto de colaboradores em interação, tornando-se imprescindível rentabilizar as sinergias daí resultantes e ultrapassar os obstáculos que podem ir surgindo. Um exemplo de boa aplicação de motivação e liderança é a empresa Delta (Grupo Nabeiro) que foi considerada a empresa mais atrativa para trabalhar em Portugal, pelo Randstad Employer Brand Research (REBR) 2021.
Para que uma organização tenha sucesso e crescimento constante, é fundamental que ela desenvolva uma liderança motivacional, que incentive as equipas e sirva de exemplo em diversos aspetos.
Segundo o Estudo da Randstad Employer Research 2022 (que visa analisar a perceção da população em relação aos empregadores de vários países), os fatores mais importantes na hora de escolher a empresa para trabalhar assentam no salário e benefícios, conciliação da vida pessoal e profissional e o ambiente de trabalho.
O CASO DO GRUPO BERNARDO DA COSTA
BC Segurança (Grupo Bracarense, de Bernardo da Costa), é um exemplo de boa liderança e de colaboradores motivados. Todas as vantagens para os colaboradores custam aproximadamente dois mil euros por mês à empresa, no entanto, esse investimento é rapidamente recuperado, dado que a equipa está muito motivada e naturalmente produtiva.
- A empresa oferece aos seus colaboradores serviços de lavandaria, entrega de comida ao domicílio, prémios mensais e anuais, spa durante o horário de trabalho e férias em destinos paradisíacos (Punta Cana, Jamaica, México, República Dominicana, Cuba).
- Criou um Departamento de Felicidade, para proporcionar aos seus colaboradores um conjunto de benefícios, tais como: seguro de saúde, dia de aniversário, uma sala de convívio (com bilhar, pingue-pongue e matraquilhos), e dias temáticos.
- Fixou um ordenado mínimo em 800 euros, em cinco das suas seis empresas.

Vera Barata
(Socióloga)

A 24 de maio de 2022, o Parlamento aprovou uma proposta de alteração ao Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) que prevê um estudo piloto sobre novos modelos de organização laboral. Na defesa deste modelo, destacam-se o aumento da produtividade, a melhoria da saúde mental dos trabalhadores, o combate às alterações climáticas e o bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Considera-se tempo de trabalho o período em que o colaborador exerce a sua atividade profissional e/ou está à disposição da entidade empregadora que, no sistema atual equivale a 8 horas de trabalho. Tendo em conta que um dia tem 24h, e que dedicamos 8h a trabalhar, 3h em deslocações, e 5h em tarefas domésticas, as restantes 8h que nos sobram seriam necessárias para dormir e descansar. Com este ritmo diário, que tempo sobra para a prática do lazer, como ver um filme, ler um livro, fazer desporto ou conviver?
É urgente refletir e mudar, investir mais tempo para melhorar a qualidade de vida, mudar os hábitos e mentalidades, e usufruir do tempo para, no fundo, viver melhor.
Imagine o seguinte cenário:
Na generalidade, o dia de trabalho inicia-se às 09h e termina às 18h, com uma pausa para almoço das 13h às 14h. Tenha como exemplo uma família constituída por um pai ou mãe, com dois filhos, que trabalha a 10km de casa e as crianças frequentam duas escolas distintas.
O dia começa às 06:30h, mas acorda e adia o despertador por 10 minutos. Levanta-se, toma banho, veste-se, arranja-se, arruma o quarto e ao olhar para o relógio repara que já são 07:30h e está atrasada! Acorda as crianças, que resistem a sair da cama e fazem birra para se vestir porque têm sono. Nisto, entornam o pequeno-almoço, sujam-se e têm de mudar de roupa e já são 08:10h e a escola começa às 08:30h.
Entram no carro e está transito, o que provoca ansiedade na família porque, mais uma vez, vão chegar atrasadas (às 08:40h). Ao chegar à escola, o carro encosta, uma criança sai a correr de mochila às costas e lancheira na mão, a mãe acena e atira um beijo, deixando-a de coração apertado e lágrimas nos olhos. Cinco minutos mais tarde chegam à segunda escola, onde se desenrola um cenário diferente, mas com o mesmo resultado.
São 08:45h, o trabalho começa às 09h e fica a 20 minutos de distância, sendo que, mais uma vez, está trânsito. O que seria um trajeto calmo, é feito repleto de nervos, stress e um telefonema para o emprego a avisar que vai chegar atrasada. No trabalho, a chefia reclama, os colegas sem filhos olham de soslaio com ar superior e, a manhã passa entre um misto de frustrações e demonstrações de competências que uma alegria fingida ajuda a disfarçar.
Na hora de almoço come uma sandes e aproveita para ir ao supermercado comprar pão e algo para o jantar, por isso bebe o café à pressa e não lhe cai bem. Recomeça o trabalho às 14h e passa a tarde entre reuniões, stress, nervos e ansiedade. Chegam as 18h e o trabalho ainda não acabou, mas como tem de sair, leva os relatórios para ler em casa, porque tem reunião no dia seguinte.
Vai buscar as crianças à escola, leva-as às atividades e, mais uma vez, chegam em cima da hora, o que provoca stress em todos. Às 20:30h estão de regresso a casa, e é hora de dar banhos, vestir, e preparar o jantar do dia e os lanches do dia seguinte.
Às 22h as crianças têm de estar a dormir. Ainda queria brincar ou rever trabalhos de casa, mas já é tarde e se não se deitarem cedo, é julgada pela professora e por um número de ativistas dos direitos da criança que a consideram má mãe/pai por não respeitar as horas de descanso (o que a deixa frustrada, ansiosa e triste).
Finalmente, às 23:30h já adormeceu as crianças, arrumou a cozinha, pôs as máquinas a lavar, as mochilas estão prontas e a casa organizada. Ainda falta o cão (ou gato, periquito, peixe, porquinho-da-índia, …), ler os relatórios e preparar a reunião. Vai dormir, às 01:30h, frustrada e ansiosa, o que lhe provoca insónias pois está cansada, esgotada. Com isto dormiu 5h, não brincou com os filhos, não fez desporto e não cuidou de si!
Sendo Portugal um país caracterizado pelos baixos níveis de produtividade, o debate sobre os novos modelos de organização laboral tem sido adiado. No entanto, a pandemia Covid-19 e o teste forçado ao teletrabalho, permitiu reconhecer que, a necessidade de um horário fixo e sincronicidade permanente cria problemas ao nível do trânsito, do meio ambiente, de custos, de deslocação, de perda de qualidade de vida e de tempo.
O bem-estar dos trabalhadores e a redução do risco de burnout deve ser uma preocupação emergente. Para o comprovar, basta olhar para outros países, como a Islândia, Japão, Nova Zelândia, Alemanha ou mesmo Espanha, onde já foram feitos testes à redução do horário de trabalho. Na Islândia, o teste realizado entre 2015 e 2019 com a redução para quatro dias de trabalho, foi considerado um “sucesso avassalador”. Na maioria dos locais de trabalho a produtividade foi mantida, ou até mesmo melhorada.
É urgente mentalizar a sociedade que o aumento da liberdade deve caminhar lado a lado com o aumento da responsabilidade. Se um trabalhador se sente reconhecido, valorizado, ou com maior qualidade de vida, a consequência direta será a preocupação em corresponder às expectativas do empregador e, desta forma, manter o equilíbrio e a tranquilidade que essas mesmas condições lhe proporcionam.

Carla Caldeira
(Licenciada em Economia)
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